terça-feira, 8 de maio de 2012

Governadores quase nunca conseguem eleger prefeitos em João Pessoa. Saiba por quê!

Há um quê de rebeldia no voto do eleitorado pessoense, de tal sorte que governadores de Estado quase nunca conseguem eleger prefeitos afinados com sua orientação ou retirados dos bolsos dos coletes. Na primeira eleição direta na capital, pós regime militar, em 1985, Carneiro Arnaud, do PMDB, foi eleito na base de um acordo com o esquema político do então governador Wilson Braga (PDS-PFL), que indicou Cabral Batista como vice. Carneiro enfrentou, como principal adversário, o então deputado Marcus Odilon Ribeiro Coutinho, que era apoiado por Tarcísio Burity. Com base marcante em Santa Rita, Odilon assustou segmentos da classe média com um discurso populista, no estilo “Povo da Silva”. A diferença de Carneiro sobre Marcos foi de quase dez mil votos, apesar das estruturas do Estado e do município funcionarem a seu favor, e de lideranças do PMDB, como Humberto Lucena, João Agripino Filho e Antônio Mariz pedirem votos para Arnaud. Mas a campanha foi desencontrada exatamente porque juntou contrários. Agripino e Mariz não absorviam Braga. Odilon chegou a ser considerado um gigante pelo próprio Wilson Braga.

Na eleição do ano seguinte, para governador, o eleitorado foi apresentado à seguinte chapa do PMDB: Tarcísio Burity-Raymundo Asfora. Marcos Odilon foi vice de Marcondes Gadelha, numa chapa que Wilson completou candidatando-se ao Senado. O plano de Wilson era dar desdobramento à aliança de 85 com o PMDB se em 86 o candidato fosse Humberto. Como este abriu mão em favor de Burity, inverteram-se os polos. Burity ganhou folgado, com diferença de quase 300 mil votos sobre Marcondes, que ainda hoje atribui aos efeitos do Plano Cruzado, lançado por Sarney para deter a inflação, a supremacia de Burity nas urnas. A campanha de Gadelha teve acidentes literais de percurso, como o da hélice do avião que numa cidade do cariri decepou a cabeça de um agricultor, afoito em se aproximar da aeronave conduzindo Marcondes. A Lei de Murphy aplicava-se à política: o que tinha de dar errado, dava errado mesmo.

Abstraindo essa passagem pela disputa estadual, segue-se a cronologia da maldição de governadores quase nunca elegerem prefeitos de João Pessoa. Wilson Braga ganhou em 88 contra uma penca de candidatos, entre os quais João da Mata, que tinha a simpatia de Burity, então no governo e filiado ao PMDB. O candidato do PMDB foi Haroldo Lucena, mas Burity duvidou do seu potencial e apostou em Da Mata, filiado ao PDC. A vez era de Wilson, contra quem quer que fosse. Em 92, Ronaldo Cunha Lima já no governo tentou emplacar a candidatura de João Agripino Neto a prefeito em retribuição ao apoio que dele teve, no segundo turno em 90, para derrotar Braga. O diretório municipal, comandado por aprendizes de política, como Delosmar Mendonça, Potengi Lucena, decidiu diferente. Indicou o vereador Delosmar. Humberto nada pôde fazer. Ronaldo abalou-se para Campina Grande, onde elegeu Félix Araújo. Quis participar do páreo na capital mas o PMDB negou-lhe até espaço no Guia Eleitoral para se defender de acusações de outros candidatos contra o governo. Ronaldo recorreu à Justiça Eleitoral para obter direito de resposta nos programas dos acusadores. O PMDB ficou fora do segundo turno em 92 na capital. Foram para o embate Chico Franca, que ocupou a vaga de Lúcia Braga, e Chico Lopes, do PT. Ganhou Franca, com o decidido apoio do braguismo. Em 96, Cícero Lucena venceu com o apoio maciço do PMDB, que começava a rachar entre Maranhão e Ronaldo. Em 90, outra bola dividida: os seguidores de Ronaldo preparavam-se para deixar o partido depois da eleição mas apoiaram Cícero. Maranhão também. Ronaldo deixou o PMDB e foi para o PSDB. Cícero foi reeleito, entrou, também, no PSDB.

Em 2004, com Cássio vivendo seu primeiro mandato de governador, o deputado Ruy Carneiro, do PSDB, não obstante todo o aparato da prefeitura comandada por Cícero, perdeu para Ricardo Coutinho. Em 2008, novamente Cássio governador, João Gonçalves aventurou-se a erguer as cores tucanas. Foi um fiasco. Ricardo Coutinho ganhou o segundo mandato. Atordoado por outros problemas, Cássio não se engajou ativamente na disputa, mas, para todos os efeitos, apoiava Gonçalves. Esta é a crônica recente das disputas em João Pessoa, sem tirar nem pôr. Talvez seja por conhecê-la mais diretamente que Ricardo passe a impressão de que tanto faz ganhar como perder a prefeitura. O arraial socialista, como disse o vereador Tavinho Santos, está pegando fogo. Ricardo continua firme com Estelizabel Bezerra, que não consegue montar uma agenda orgânica de candidata. O suposto “Plano B”, de Bandeira (Nonato), não sensibiliza o Palácio, pelo menos oficialmente. Daí porque as oposições deitam e rolam, ora com Maranhão na liderança (mesmo enfrentando pendência judicial), ora com Cícero (ainda sem avançar nas alianças e apoios), ora, finalmente, com Luciano Cartaxo, alvo da inquisição cerrada dos petistas. O interessante nessa história é que, antes, Cartaxo era acusado de ter DNA ricardista, porque foi seu líder na câmara municipal. Agora, é apontado por Luiz Couto, Júlio Rafael, Antônio Barbosa, como portador de DNA maranhista, porque foi vice quando este se candidatou ao governo e assumiu em 2009 com a cassação de Cássio. “O que tenho mesmo é DNA petista”, rebate Luciano para os incrédulos.
 
Fonte: JefteNews

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