Na eleição do
ano seguinte, para governador, o eleitorado foi apresentado à seguinte
chapa do PMDB: Tarcísio Burity-Raymundo Asfora. Marcos Odilon foi vice
de Marcondes Gadelha, numa chapa que Wilson completou candidatando-se ao
Senado. O plano de Wilson era dar desdobramento à aliança de 85 com o
PMDB se em 86 o candidato fosse Humberto. Como este abriu mão em favor
de Burity, inverteram-se os polos. Burity ganhou folgado, com diferença
de quase 300 mil votos sobre Marcondes, que ainda hoje atribui aos
efeitos do Plano Cruzado, lançado por Sarney para deter a inflação, a
supremacia de Burity nas urnas. A campanha de Gadelha teve acidentes
literais de percurso, como o da hélice do avião que numa cidade do
cariri decepou a cabeça de um agricultor, afoito em se aproximar da
aeronave conduzindo Marcondes. A Lei de Murphy aplicava-se à política: o
que tinha de dar errado, dava errado mesmo.
Abstraindo essa
passagem pela disputa estadual, segue-se a cronologia da maldição de
governadores quase nunca elegerem prefeitos de João Pessoa. Wilson Braga
ganhou em 88 contra uma penca de candidatos, entre os quais João da
Mata, que tinha a simpatia de Burity, então no governo e filiado ao
PMDB. O candidato do PMDB foi Haroldo Lucena, mas Burity duvidou do seu
potencial e apostou em Da Mata, filiado ao PDC. A vez era de Wilson,
contra quem quer que fosse. Em 92, Ronaldo Cunha Lima já no governo
tentou emplacar a candidatura de João Agripino Neto a prefeito em
retribuição ao apoio que dele teve, no segundo turno em 90, para
derrotar Braga. O diretório municipal, comandado por aprendizes de
política, como Delosmar Mendonça, Potengi Lucena, decidiu diferente.
Indicou o vereador Delosmar. Humberto nada pôde fazer. Ronaldo abalou-se
para Campina Grande, onde elegeu Félix Araújo. Quis participar do páreo
na capital mas o PMDB negou-lhe até espaço no Guia Eleitoral para se
defender de acusações de outros candidatos contra o governo. Ronaldo
recorreu à Justiça Eleitoral para obter direito de resposta nos
programas dos acusadores. O PMDB ficou fora do segundo turno em 92 na
capital. Foram para o embate Chico Franca, que ocupou a vaga de Lúcia
Braga, e Chico Lopes, do PT. Ganhou Franca, com o decidido apoio do
braguismo. Em 96, Cícero Lucena venceu com o apoio maciço do PMDB, que
começava a rachar entre Maranhão e Ronaldo. Em 90, outra bola dividida:
os seguidores de Ronaldo preparavam-se para deixar o partido depois da
eleição mas apoiaram Cícero. Maranhão também. Ronaldo deixou o PMDB e
foi para o PSDB. Cícero foi reeleito, entrou, também, no PSDB.
Em 2004, com
Cássio vivendo seu primeiro mandato de governador, o deputado Ruy
Carneiro, do PSDB, não obstante todo o aparato da prefeitura comandada
por Cícero, perdeu para Ricardo Coutinho. Em 2008, novamente Cássio
governador, João Gonçalves aventurou-se a erguer as cores tucanas. Foi
um fiasco. Ricardo Coutinho ganhou o segundo mandato. Atordoado por
outros problemas, Cássio não se engajou ativamente na disputa, mas, para
todos os efeitos, apoiava Gonçalves. Esta é a crônica recente das
disputas em João Pessoa, sem tirar nem pôr. Talvez seja por conhecê-la
mais diretamente que Ricardo passe a impressão de que tanto faz ganhar
como perder a prefeitura. O arraial socialista, como disse o vereador
Tavinho Santos, está pegando fogo. Ricardo continua firme com
Estelizabel Bezerra, que não consegue montar uma agenda orgânica de
candidata. O suposto “Plano B”, de Bandeira (Nonato), não sensibiliza o
Palácio, pelo menos oficialmente. Daí porque as oposições deitam e
rolam, ora com Maranhão na liderança (mesmo enfrentando pendência
judicial), ora com Cícero (ainda sem avançar nas alianças e apoios),
ora, finalmente, com Luciano Cartaxo, alvo da inquisição cerrada dos
petistas. O interessante nessa história é que, antes, Cartaxo era
acusado de ter DNA ricardista, porque foi seu líder na câmara municipal.
Agora, é apontado por Luiz Couto, Júlio Rafael, Antônio Barbosa, como
portador de DNA maranhista, porque foi vice quando este se candidatou ao
governo e assumiu em 2009 com a cassação de Cássio. “O que tenho mesmo é
DNA petista”, rebate Luciano para os incrédulos.
Fonte: JefteNews

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